APRENDA A CULTIVAR COGUMELOS: PROBLEMAS, CONTAMINAÇÕES E PRAGAS

Cultivar cogumelos é uma eterna batalha na luta contra contaminações. Da mesma forma que os substratos usados no cultivo servem de alimento para o micélio, também servem como alimento para diversos outros micro-organismos. Quando esses micro-organismos entram em contato com o substrato, eventualmente podem se estabelecer, impedindo que o micélio do cogumelo cresça, prejudicando o cultivo. Descobrir a fonte da contaminação e corrigir o problema pode impedir que você tenha uma perda de produção. Quando você se depara com uma contaminação é necessário pensar o que você fez de errado e corrigir o mais rápido possível para que na próxima vez de tudo certo. Aqui vão algumas dicas sobre as contaminações e de onde elas podem vir:

1. Do cultivador

2. Do ar

3. Do substrato

4. Das ferramentas utilizadas

5. Do inóculo ("semente", cultura líquida, esporos, etc)

6. Insetos e outros animais

1. Contaminações vindas do cultivador

O corpo humano é cheio de micro-organismos. Muitos organismos vivem no corpo humano, diversas espécies de fungos, bactérias, vírus e leveduras, além de insetos minúsculos. Cada parte do corpo possui uma população diferente de micro-organismos. No cultivo de cogumelos os contaminantes mais frequentes são espalhados através da pele e da respiração. O descamamento da pele também é uma causa bem comum de contaminações, pois a pele morta é comida para alguns desses micro-organismos. É por isso que os cultivadores utilizam luvas de látex limpas com álcool 70 para determinadas tarefas com materiais estéreis. Antes de tocar em qualquer material estéril lembre-se de limpar as mãos com álcool 70. Toda vez que você tocar em um material não estéril, limpe as mãos novamente. Eu recomendo fortemente que o cultivador tome um banho (esfregue bastante as mãos e braços com bucha e sabão para remover pele morta), vista roupas limpas, utilize luvas limpas com álcool 70 e máscara simples para evitar que gotículas de saliva ou barba caiam no material estéril. Prender o cabelo também pode ser uma boa ideia.

2. Contaminações vindas do ar

O ar é cheio de contaminações invisíveis flutuando. O vento carrega diversas partículas e micro-organismos, que ao caírem em um substrato esterilizado irão contaminá-lo. Quando uma pessoa entra em um ambiente estéril, como um laboratório, por exemplo, ela traz consigo diversos micro-organismos presos ao corpo. Além disso a movimentação da pessoa no laboratório suspende os micro-organismos que estavam presos no chão do laboratório, trazendo-os para cima novamente. Um dos métodos para diminuir esse tipo de contaminação é usando uma antessala, que consiste em uma salinha antes da sala principal. O uso de filtros HEPA para pressurizar a sala limpa também é fortemente recomendado. Uma boa limpeza das superfícies da sala também é fortemente recomendado. Esfregue tudo com detergente e bucha, depois aplique cloro nas paredes, chãos e pias com ajuda de panos limpos e rodos, e álcool 70 para superfícies mais delicadas. Durante a aplicação do cloro use sempre luvas, máscara para vapores orgânicos, óculos e roupas protetoras. Luz ultravioleta, também conhecida como luz UVC, são ótimas ferramentas para esterilização do ar de ambientes. Esse tipo de luz interfere na replicação do DNA dos organismos vivo, e é eficiente apenas quando atinge o micro-organismo diretamente. Locais onde a luz ultravioleta não atinge diretamente não serão esterilizados corretamente, por isso ao fazer uso desse tipo de luz evite objetos desnecessários na sala e instale a lâmpada num local onde a incidência de luz será mais eficiente. É muito importante jamais entrar em contato com a luz UVC, ela é prejudicial a saúde do ser humano, podendo causar queimaduras, cegueira e câncer de pele. Desligue a lâmpada antes de entrar na sala. 

3. Contaminações vindas do substrato

Os materiais utilizados no cultivo de cogumelo carregam diversos tipos de contaminações. Meio de cultura, grãos, palhas, serragem, todos os materiais utilizados no cultivo possuem naturalmente esporos de fungos e bactérias, e quando o tratamento de esterilização não é adequado esses micro-organismos vão causar problemas. No tópico "noções de esterilização" é possível saber mais sobre essa parte. 

4. Contaminações vindas das ferramentas

Todas as ferramentas utilizadas no cultivo devem ser limpas antes e depois do uso, desde bisturis, panelas até os frascos utilizados, mesmo antes de esterilizá-los. Para ferramentas que entrarão em contato direto com o meio de cultivo, como bisturis, o método tradicional é flambar. Aquecer a lâmina de um bisturi ou agulha de uma seringa no fogo até que fiquem vermelhos elimina qualquer micro-organismo presente. Depois de flambar não toque com a ferramenta em lugar algum. Quando você esteriliza materiais usando uma panela de pressão, lembre-se que o interior da panela e o material nela contida está estéril, porém a parte de fora não. Antes de abrir para retirar o material estéril de dentro, limpe o exterior da panela com álcool 70 e papel toalha. 

5. Contaminações vindas do inóculo ("semente", cultura líquida, esporos, etc)

O inóculo é o meio por onde o cultivador irá introduzir o fungo no substrato. Bactérias e fungos podem ser arrastados para esses inóculos, que quando utilizados podem acarretar em contaminações. O inóculo deve ser testado a cada lote para certificar que estão puros. Somente adquira inóculo de laboratórios especializados, jamais use material duvidoso para cultivar cogumelos. 

6. Contaminações vindas de insetos e animais

Insetos podem ser devastadores no cultivo de cogumelos pois muitos pousam em materiais contaminados e, ao pousar no material estéril destinado ao cultivo de cogumelos, contaminam com diversos esporos de fungos e bactérias. Animais em geral atuam como veículos para diversos tipos de contaminações e devem ser evitados ao máximo com o uso de telas de proteção, armadilhas e todo arsenal disponível. Formigas, moscas, ácaros, gatos, cachorros, todos devem ser evitados nas áreas limpas do cultivo de cogumelos. Um método para evitar a entrada de ácaros e outros insetos pequenos é colocando uma bandeja com uma solução de cloro na entrada do local limpo. Todos que entrarem nesse local devem primeiro limpar o tênis, pisando na bandeja. Outra dica é o uso de placas ou copos descartáveis amarelos impregnados com cola entomológica, facilmente comprada no MercadoLivre. Existe um produto a base de bactérias Bacillus thunriginensis que elimina as larvas das mosquinhas encontradas frequentemente em cultivos de cogumelos. Essa bactéria é naturalmente encontrada na natureza e esse produto deve ser aplicado por cima dos sacos durante a colonização e antes de irem para a sala de frutificação. A seguir entrarei em detalhes sobre os insetos comuns no cultivo de cogumelos.

INSETOS NO CULTIVO DE COGUMELOS

Cogumelos não servem de alimento apenas para os seres humanos. Diversos outros organismos se alimentam dos cogumelos e do micélio. Atraídos pelo odor característico do micélio, alguns insetos pousam no composto e nos cogumelos e depositam seus ovos. Dentro de poucos dias os ovos eclodem, dando origem as larvas, que se alimentam da matéria orgânica presente. A larva ocasiona o maior prejuízo, pois ela escava túneis nos cogumelos e prejudicam a aparência do produto final. Além do problema relacionado a larva, os insetos trazem diversos esporos de fungos, bactérias e vírus contaminantes, e ao pousar no composto esses esporos podem germinar e estragar o cultivo. Para garantir que os insetos não proliferem no cultivo, o cultivador deve tomar certos cuidados. É possível utilizar alguns inseticidas, no entanto deve-se tomar cuidado no uso desse tipo de produto pois os cogumelos serão destinados a alimentação humana. Existem produtos naturais que afastam os insetos e medidas preventivas, esses métodos são os melhores aliados. Abaixo citarei alguns:

1. O tempo de pasteurização do substrato deve ser suficiente para matar todos os estágios de crescimento do inseto, ou seja, temperatura mínima de 60'C por 2 horas.

2. Após a pasteurização todos os processos devem ser feitos em ambiente limpo. A inoculação e incubação do composto devem ser feitas em local com tela, protegido contra entrada de insetos e com armadilhas pegajosas instaladas, feitas com placas amarelas e cola entomológica.

3. Todas as ferramentas, prateleiras e galpões devem ser desinfetados entre uma safra e outra de produção. Cloro a 2% é eficiente nessa questão, matando inclusive vírus. O uso de calda bordalesa ajuda a prevenir o mofo. Evite derivados de petróleo. 

4. Compostos velhos e contaminados, restos de cogumelos e matéria orgânica devem ser removidos das proximidades dos galpões de produção, tendo em vista que esses atraem insetos.

5. A entrada de ar fresco e a saída de ar devem ser protegidos com tela fina contra mosquitos, lembrando que os insetos que costumam aparecer nas produções de cogumelos são mais finos que mosquitinho de banana. Certifique-se de que a sala de produção não tenha entradas e rachaduras por onde os insetos podem entrar. 

6. Em caso de infestação de insetos (mosquinhas, ácaros, besouros) é possível utilizar produtos de uso agrícola como o Diazinon (diluição 1:500 300ml/m²), Malation (1:100 200ml/m²) ou Kelthane (1:100 200ml/m²). A aplicação pode ser feita no intervalo de produção (vazio sanitário) ou durante a produção, dentro e fora da sala de produção - Fonte: Bononi et al (1995), Stamets e Chilton (1983) e Urben e Oliveira (1998)

FUNGOS, BACTÉRIAS E VÍRUS NO CULTIVO DE COGUMELOS

Chamamos de contaminantes (ou competidores) os fungos, bactérias e vírus que podem estragar qualquer etapa do cultivo de cogumelos. No começo desse tópico expliquei de onde esses contaminantes podem vir e alguns métodos para evitá-los. Com o tempo o cultivador começa a perceber que cada etapa do processo de cultivo de cogumelos é afetada mais por determinado grupo de contaminações. Cultivadores novatos podem ter muito medo das contaminações no início, mas depois se acostumam e começam a entender de onde elas surgem e como evitá-las. Anotar todos os passos do processo em um caderno, como tempo de esterilização, temperatura, material usado, quantidade de água, etc, pode ajudar o cultivador a achar a origem do problema, além de poder avaliar a produtividade do cultivo. 

Os contaminantes podem ser divididos em dois grupos. Os que atacam os cogumelos são chamados de patógenos, enquanto que os que atacam o substrato são chamados de competidores. Em geral os patógenos ocorrem em menor número que os competidores. Nem todos os fungos e bactérias são prejudiciais ao cultivo de cogumelos. Algumas espécies são benéficas, e em alguns casos são fundamentais para o cultivo de algumas espécies de cogumelos. Esses micro-organismos não são chamados de competidores, pois ajudam de alguma forma o cogumelo. Segue alguns exemplos: Humicola, Torula, Actinomicetos, Streptomicetos, algumas espécies de Pseudomonas e Bacillus

O crescimento desse tipo de micro-organismo é promovido através do processo de compostagem, sendo os actinomicetos visíveis a olho nu durante as viradas do composto (manchas brancas). As contaminações variam de tamanho, sendo os vírus os menores micro-organismos que prejudicam o cultivo (entre 0,01 e 0,2 microns). As bactérias variam de 0,4 a 5 microns, e são visíveis sob microscópio óptico. Os fungos variam de 2 a 30 microns, podem ser vistos em microscópio óptico e também a olho nu, quando a colônia está grande. 

Chave de identificação para contaminações no cultivo de cogumelo

Essa é uma ferramenta muito simples de utilizar, basta seguir o caminho correspondente as características da sua contaminação. Comece pelo número 1, leia as características descritas e selecione a que mais se parece com a sua contaminação. Ao final de cada etapa tem um número, que corresponde ao próximo nível da chave que você deverá seguir. Ao chegar ao final da identificação, procure na internet o nome da contaminação e verifique se corresponde ao que ocorre no seu cultivo.

1a  A contaminação paralisa o crescimento do cogumelo (patógena).............................................2

1b  A contaminação não paralisa o crescimento do cogumelo (competidora)................................7

2a  A contaminação deixa os cogumelos melados e pegajosos, sem a presença de mofo..............3

2b  A contaminação deixa os cogumelos com uma fina camada de mofo.......................................4

3a  Gotículas se formam no chapéu e haste, mas sem lesões. Eventualmente os cogumelos viram uma massa esponjosa esbranquiçada.............................................organismo não identificado

3b  Chapéu não fica como o anterior, porém se formam manchas marrons que crescem, as vezes formando um mofo cinza gosmento. Eventualmente os cogumelos se desintegram formando uma massa gosmenta...............................................................Pseudomonas tolassi (bactéria)

4a   Contaminação começa branca densa e depois fica esverdeada  ................................................ ..................................................Trichoderma viride, Trichoderma koningii (bolor verde)

4b  Não é como o 4a.............................................................................................................................5

5a  Contaminação aparece na camada de cobertura como uma teia de aranha ou algodão, que cresce rapidamente..................................................................Dactlyium dendroides (cobweb)

5b  A contaminação ataca o cogumelo mas raramente aparece na camada de cobertura.............6

6a  A contaminação transforma cogumelos pequenos em uma massa redonda amorfa da qual brota líquidos cor âmbar quando cortado. A haste do cogumelo não descasca ............................... ............................................................................................Mycogone pernciosa (bolha úmida)

6b  A contaminação afeta os cogumelos como o 6a, porém não solta líquido âmbar ao corte. A haste do cogumelo normalmente descasca ou descama .................................................................... ........................................................................................Verticillium malthousei (bolha seca)

7a  A contaminação é outro cogumelo, cujo chapéu derrete numa tinta preta conforme envelhece.................................................................................. Coprinus spp. (chapéu de tinta)

7b  Contaminação não é como 7a.......................................................................................................8

8a  Contaminação é rosa ou avermelhada, ficando roxa conforme envelhece...............................9

8b  Contaminação não é como 8a....................................................................................................14

9a  Ocorre no composto ou na camada de cobertura (casing).......................................................10

9b  Ocorre no meio de cultivo com ágar ou nos grãos da "semente".............................................11

10a  Micélio cresce rápido, aéreo e não possui uma textura de congelado. Com o tempo se torna rosado................................................................................................Neurospora sp. (mofo rosa)

10b  Micélio cresce devagar e com textura de congelado, tornando-se avermelhado conforme envelhece..............................................................................................Geotrichum (mofo batom)

11a  Micélio do contaminante não é bem desenvolvido, quase invisível a olho nu, as vezes com aspecto gelatinoso..............................................................................................................................12

11b  Micélio do contaminante é bem desenvolvido e visível a olho nu, não se parece com gelatina...............................................................................................................................................13

12a  Mais frequente em meio de cultura de ágar................................Cryptococcus (levedura)

12b  Mais frequente em grãos na "semente"................................Fusarium (mofo amarelado)

13a Micélio cresce rápido e aéreo...................................................Neurospora sp. (mofo rosa)

13b Micélio cresce devagar........................................................Trichothecium sp. (mofo rosa)

14a Contaminante gelatinoso............................................................................................................15

14b  Contaminante em forma de mofo ou micélio...........................................................................17

15a  Sem mobilidade (visível no microscópio). Não é afetado por antibiótico como sulfato de gentamicina.............................................................................................Cryptococcus (levedura)

15b  Móvel (visível no microscópio). Crescimento afetado por antibiótico...................................16

16a  Células em formato de cajado. Gram-positivas (coradas de violeta quando fixadas com solução de iodo....................................................................................................Bacillus (bactéria)

16b  Formato das células variado. Gram-negativas (não coram de violeta quando fixadas com solução de iodo......................................................................................Pseudomonas (bactéria)

17a  Contaminante em forma de mofo verde...................................................................................18

17b Contaminante em forma de mofo preto....................................................................................20

17c  Contaminante em forma de mofo marrom..............................................................................24

17d  Contaminante em forma de mofo amarelo..............................................................................25

17e  Contaminante em forma de mofo branco................................................................................28

18a  Forma rebarbas brancas normalmente com cor verde oliva.......Chaetomium olivaceum

18b  Não é como o 18a.......................................................................................................................19

19a  Mofo normalmente de cor azulada.................Penicillium spp. (mofo azul esverdeado)

19b  Mofo normalmente verde ou amarelado............................Aspergillus spp. (mofo verde)

19c  Mofo em formato de floresta verde..................................Trichoderma spp. (mofo verde)

19d  Mofo verde escuro.............................................Cladosporium spp. (mofo verde escuro)

20a  Colônia densa, parecido com o Penicillium mas não é aéreo................................................21

20b  Colônia aérea mas não é parecido com Penicillium.............................................................22

21a  Esporos grandes (20 microns), alongados e com ornamentos .................................................. .........................................................................................................Alternaria spp. (mofo preto)

21b  Esporos esféricos, sem ornamentos e pequenos (até 5 microns)............................................... .......................................................... ......................................................Aspergillus (mofo preto)

22a  Mais frequente no composto, lembrando um bigode preto....................................................... ........................................................................................Doratomyces stemonitis (mofo preto)

22b  Mais frequente em meio de cultura de ágar, aparência de mofo com pintinhas pretas..... 23

23a  Conidióforo parece inchado no ápice, parcialmente coberto por uma membrana................... ......................................................................................................................Rhizopus (mofo preto)

23b  Conidióforo diferente do 23a, ápice totalmente coberto por uma membrana ........................ ...........................................................................................................................Mucor (mofo preto)

24a  Mofo desenvolve massas de células em forma de talão. Não produz frutos em formato de copo.................................................................................Papulospora byssina (mofo marrom)

24b  Mofo diferente do 24a, com frutos em formato de copo.............Botrytis (mofo marrom)

25a  Mofo forma uma camada parecida com cortiça entre a camada de cobertura (casing) e o composto............................................Chrysosporium luteum (doença do tapete amarelo)

25b  Mofo não forma uma camada parecida com cortiça..............................................................26

26a  Não ocorre no composto.........................................................Epicoccum (mofo amarelo)

26b  Frequentemente visto no composto mas não exclusivo........................................................27

27a  Esporos largos, excedendo 5 microns e de dois tipos......Sepedonium (mofo amarelo)

27b  Esporos pequenos, menores que 5 microns, ovóides, formados em uma estrutura que lembra uma cabeça no ápice de uma haste.........................Aspergillus spp. (mofo amarelo)

28a   Micélio que lembra gesso.....................................Scopulariopsis (mofo branco gesso)

28b  Micélio não lembra gesso.........................................................................................................29

29a  Esporos se formam de hifas em cadeia...........................Monilia (mofo farinha branca)

29b  Esporos ausentes, não se formam das hifas................................................Mycelia sterilia

 

Manual de boas práticas para cultivadores de cogumelos

O sucesso do cultivo de cogumelos está ligado ao manejo diário das salas de cultivo. O ambiente onde os cogumelos nascem está em constante mudança, e é necessário atentar-se aos detalhes. Alguns acontecimentos podem desencadear um prejuízo no cultivo e, as vezes, danos irreparáveis em todo o lote de produção. O trabalho diário dos funcionários no cultivo impactam de forma significativa a produção dos cogumelos. Com pequenas regras sendo seguidas e uma metodologia bem definida e padronizada, a produção pode atingir o máximo da capacidade. É altamente recomendado ter uma rotina diária e semanal de tarefas destinadas a manutenção da produção. Abaixo podemos conferir algumas dicas:

Mantenha a higiene pessoal: Tome banho todos os  dias e vista roupas limpas. Odores corporais são resultado de colônias de bactérias do corpo. Evite contato com mofo, terra, animais de estimação, etc. Os trabalhadores devem lavar as mãos com sabão antes de manipular objetos utilizados no cultivo. As pessoas responsáveis pela colheita e processamento dos cogumelos colhidos devem lavar as mãos com sabão e ainda usar luvas.

Mantenha uma rotina de limpeza: Uma atenção deve ser dada a limpeza antes e após um lote de produção para remover resíduos orgânicos, como restos e cogumelos e composto. Os resíduos da produção de cogumelos devem ser removidos para um local afastado das salas de produção. 

Use um lava pés na entrada das salas de cultivo: Pisar numa bandeja contendo desinfetante com o tênis antes de entrar na salas de cultivo ajuda a não trazer contaminações para dentro da produção. O desinfetante da bandeja deve ser trocado todos os dias.

Coletar dados de temperatura e umidade diariamente: É importante ter um caderno com dados relacionados a temperatura e umidade ao longo dos dias durante o cultivo. Esses dados devem ser coletados de preferência duas vezes ao longo do dia, sempre no mesmo horário. O perfil de temperatura é importante na hora de prever o tempo de incubação e colheita, e também na hora de fazer uma relação entre o número de pragas (como mosquinhas) e a estação do ano. Para cultivo de Pleurotus, por exemplo, a umidade ideal gira em torno de 90%. 

Remova sacos contaminados uma vez por dia: Uma vez que o trabalhador removeu um saco contaminado de dentro da sala de cultivo, ele deve ter consciência de que está cheio de esporos pelo corpo todo. Caso um trabalhador mexa com alguma contaminação, ele estará inapto a entrar em contato com material susceptível a contaminação, como por exemplo composto recém esterilizado ou pasteurizado e salas de incubação. Por isso a remoção de blocos contaminados deve ser feita, preferencialmente, no final do dia, quando os trabalhos se encerram.